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Para formar a seleção de obras aqui reunidas, a curadoria da 1ª MACLI usou o conceito que Freud criou em 1919, para melhor problematizar a arte, chamado Unheimlich (traduzido por alguns profissionais como “o estranho familiar”). De acordo com a curadora Flavia Corpas, nele Freud “aponta a experiência ao mesmo tempo familiar e inquietante”, típica da criação artística. Esse conceito acaba por evocar o real e seu duplo, temas caros tanto para a psicanálise como para a arte. Assim, para Corpas, “nas obras de John Parra, o onírico, o fantasioso e, sobretudo, a morte, segundo a tradição mexicana, comparecem numa mescla de cores vivas que não deixam de evidenciar que, em relação à morte, são inúmeras as nossas tentativas de fazê-la caber na vida”. Afinal, a morte não seria o duplo da vida, assim como o sonho ou a fantasia, tantas vezes contidos nas obras de Parra, são o duplo do real?