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Juliana Bollini é uma artista que trabalha com ressignificação, assim como fizeram Duchamp e Bispo do Rosário, dentre outros. Seus trabalhos são construídos a partir de material reciclado, sobretudo sucata e papel. Por exemplo, o que outrora era uma reles caixa de papelão onde se lia a palavra “frágil”, se transforma num magnífico Cavalo de Tróia, onde passamos a ler “ágil”. Ou o que antes eram folhas de uma revista desatualizada, passam a ser folhas de uma floresta atemporal, onde Chapeuzinho Vermelho passeia distraída sem perceber a presença do lobo. Temos a impressão de que a artista está a todo o momento nos lembrando da frase de Lavoisier: “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Daí que, ao mirarmos qualquer uma de suas obras, temos, junto ao deslumbre provocado por tamanha beleza, pequenas sensações de déjà vu, esporádicos sentimentos de que estamos diante de algo estranhamente familiar, mas que nem sempre somos capazes de reconhecer num primeiro olhar. São obras que nos remetem ao passado, pois o material que as compõe possui história. São histórias que contam histórias. Afinal, quantas histórias conseguimos apreender em cada uma das obras de Bollini?