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Nesta obra, O Pequeno Polegar, de Luciano Feijão, criada especialmente para a MACLI do Sesc Glória, o artista capixaba representa dois opostos: um personagem gigante e outro mínimo, do tamanho de um dedo polegar. O Gigante ganha a tela, ao sair de trás de uma árvore. O Pequeno Polegar, ao mesmo tempo que se esconde, permanece superexposto para o público, em primeiro plano. Feijão, por meio de brincadeiras semelhantes, vai realçando os contrastes de seus modelos. O jogo de luz e sombra, por exemplo, é outro recurso utilizado pelo artista para destacar os opostos da obra. Reparem que nenhuma sombra se projeta sobre o Pequeno Polegar, mesmo estando ele escondido. Além disso, reparem que Feijão utiliza igualmente a cor amarela para representar a lua e os botões do casaco do Gigante, formas circulares de tamanhos diferentes. Isso nos chama a atenção para o fato de que existe algo maior que o Gigante, ou seja, a lua, como se ela pudesse ser o botão de um casaco de outro gigante, maior ainda que este que vemos, relativizando tudo. Por fim, notem como o artista traça uma diagonal invisível, colocando a lua na extremidade alta da esquerda, o Pequeno Polegar na extremidade baixa da direita e o Gigante no meio. E atentem para como o cotovelo do gigante, incluído nessa diagonal invisível, aponta, em forma de seta, para o Pequeno Polegar, indicando o sentido decrescente da diagonal, ou seja, do maior elemento para o menor. Todos esses sutis detalhes foram pensados por Luciano Feijão ao criar sua obra, com a finalidade de conduzir o olhar do espectador, mesmo que de forma inconsciente. Segundo o artista nos relatou, “a ilustração O Pequeno Polegar surge a partir de uma série de estudos de composição, que organizam os componentes gráficos dentro de um suporte e espaço específicos. Cada um desses elementos encontra seu lugar apropriado - enfatizando assim sua importância na narrativa”.

 

Como um jogo de caixinhas que se escondem uma dentro da outra, a lua, o gigante e o Pequeno Polegar se encaixam perfeitamente dentro da obra de Feijão, criando uma cena que apresenta ao mesmo tempo conforto visual, fruto da harmonia de seus elementos, e tensão, diante do perigo iminente retratado.